Síndrome de lise tumoral: Risco metabólico em tumores de alta proliferação

Síndrome de lise tumoral: por que tumores de alta proliferação exigem atenção especial?

A síndrome de lise tumoral (SLT) é considerada uma das principais emergências metabólicas em oncologia. Embora seja relativamente incomum, pode evoluir rapidamente e colocar a vida do paciente em risco quando não reconhecida e tratada precocemente.

Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO) e o National Cancer Institute (NCI), a síndrome ocorre quando um grande número de células tumorais é destruído em um curto período, liberando substâncias intracelulares na corrente sanguínea e provocando importantes alterações metabólicas.


O que é a síndrome de lise tumoral?

A lise tumoral corresponde à destruição das células cancerígenas.

Quando essa destruição acontece de forma intensa e rápida, o organismo pode não conseguir eliminar adequadamente os componentes liberados pelas células, resultando na chamada síndrome de lise tumoral.

Esse fenômeno ocorre principalmente após o início do tratamento oncológico, especialmente da quimioterapia, mas também pode surgir espontaneamente em tumores extremamente agressivos.

Segundo as diretrizes da ASCO, a síndrome de lise tumoral é mais frequente em neoplasias com:

  • Alta taxa proliferativa;
  • Grande volume tumoral;
  • Elevada sensibilidade à quimioterapia;
  • Níveis elevados de LDH (lactato desidrogenase).


Quais cânceres apresentam maior risco?

O risco é particularmente elevado em tumores hematológicos, como:

  • Linfoma de Burkitt;
  • Leucemia linfoblástica aguda (LLA);
  • Alguns linfomas não Hodgkin de alto grau;
  • Leucemia mieloide aguda (LMA).

Embora menos comum, a síndrome também pode ocorrer em tumores sólidos volumosos e altamente sensíveis ao tratamento.


O que acontece no organismo?

As células tumorais armazenam grandes quantidades de potássio, fósforo e ácidos nucleicos.

Quando milhares ou milhões dessas células são destruídas simultaneamente, esses componentes são liberados na circulação, causando alterações metabólicas importantes.

Segundo os critérios de Cairo-Bishop, utilizados internacionalmente para diagnóstico da síndrome de lise tumoral, as principais alterações laboratoriais incluem:

  • Hiperuricemia: Os ácidos nucleicos liberados pelas células são metabolizados em ácido úrico. O excesso dessa substância pode cristalizar nos rins, levando à insuficiência renal aguda.
  • Hipercalemia: O aumento dos níveis de potássio representa uma das complicações mais perigosas, podendo causar arritmias cardíacas potencialmente fatais.
  • Hiperfosfatemia: A liberação maciça de fósforo pode contribuir para a formação de depósitos de fosfato de cálcio nos tecidos e nos rins.
  • Hipocalcemia secundária: Como consequência da hiperfosfatemia, ocorre redução dos níveis séricos de cálcio, podendo provocar câimbras, espasmos musculares, convulsões e alterações neurológicas.


Quais são os sintomas da síndrome de lise tumoral?

Nos estágios iniciais, muitos pacientes podem não apresentar sintomas específicos.

Quando as alterações metabólicas evoluem, podem surgir:

  • Náuseas e vômitos;
  • Fraqueza intensa;
  • Diminuição da produção de urina;
  • Câimbras musculares;
  • Dormências e formigamentos;
  • Alterações do ritmo cardíaco;
  • Convulsões;
  • Confusão mental.

Segundo o National Cancer Institute, a identificação precoce dessas manifestações é fundamental para evitar complicações graves.


Por que a síndrome de lise tumoral é considerada uma emergência oncológica?

A rápida progressão das alterações metabólicas pode levar a complicações potencialmente fatais, como:

  • Insuficiência renal aguda;
  • Arritmias cardíacas graves;
  • Convulsões;
  • Distúrbios neurológicos;
  • Falência de múltiplos órgãos.

Por esse motivo, pacientes de alto risco geralmente recebem monitorização intensiva logo nos primeiros dias de tratamento.


Como é feita a prevenção?

A boa notícia é que a síndrome de lise tumoral pode ser prevenida na maioria dos casos.


Segundo as recomendações da ASCO, as principais estratégias incluem:

  • Hidratação intensiva
  • A administração adequada de líquidos ajuda a aumentar a eliminação renal de ácido úrico e eletrólitos.
  • Monitorização laboratorial frequente
  • Exames seriados permitem identificar alterações metabólicas antes do aparecimento de sintomas graves.
  • Uso de medicamentos específicos

Entre os principais medicamentos utilizados estão:

  • Alopurinol: reduz a formação de ácido úrico;
  • Rasburicase: promove a degradação rápida do ácido úrico já presente na circulação.

A escolha depende do perfil de risco e das características clínicas de cada paciente.


O que é a classificação de Cairo-Bishop?

A classificação de Cairo-Bishop é atualmente uma das principais ferramentas para diagnóstico da síndrome de lise tumoral.

Ela divide a condição em:

  • Síndrome de lise tumoral laboratorial

Quando existem alterações bioquímicas características, mesmo sem sintomas clínicos importantes.

  • Síndrome de lise tumoral clínica

Quando essas alterações provocam complicações como:

  • – Insuficiência renal;
  • – Arritmias cardíacas;
  • – Convulsões;
  • – Necessidade de intervenção médica imediata.


Essa classificação auxilia na definição do tratamento e da intensidade da monitorização.


Conclusão:

A síndrome de lise tumoral é uma emergência metabólica que exige reconhecimento e tratamento rápidos.

Segundo a ASCO, o National Cancer Institute (NCI) e as diretrizes internacionais de Cairo-Bishop, a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir complicações e garantir maior segurança durante o tratamento oncológico.

Na prática, identificar pacientes de alto risco, realizar monitorização laboratorial adequada e iniciar medidas preventivas precocemente são etapas fundamentais para o sucesso terapêutico e para a preservação da qualidade de vida do paciente.

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👨‍⚕️ Dr Stefany Cardoso Faria
CRM-SP: 110950 / RQE: 30894