O rastreamento oncológico é uma das principais estratégias da medicina preventiva moderna. Segundo o National Cancer Institute (NCI) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), seu objetivo é identificar lesões precursoras, alterações pré-neoplásicas ou neoplasias em estágios iniciais, antes da manifestação clínica da doença.
Na prática, isso permite maior possibilidade de tratamento curativo, redução de mortalidade e terapias potencialmente menos agressivas.
No entanto, o rastreamento não deve ser realizado de maneira indiscriminada.
De acordo com diretrizes da USPSTF (United States Preventive Services Task Force), American Cancer Society e sociedades médicas brasileiras, a indicação dos exames depende de múltiplos fatores, incluindo:
A oncologia moderna trabalha cada vez mais com o conceito de estratificação de risco e medicina personalizada.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a mamografia de rastreamento é recomendada para mulheres de risco habitual a partir dos 40 anos.
Em pacientes consideradas de alto risco como portadoras de mutações em BRCA1 e BRCA2 ou forte histórico familiar, o rastreamento pode começar mais precocemente e incluir métodos complementares, como ressonância magnética das mamas.
O objetivo é detectar tumores em fases iniciais, muitas vezes ainda subclínicos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o rastreamento com PSA associado ao toque retal deve ser individualizado conforme perfil de risco.
Em homens de risco habitual, essa discussão costuma se iniciar aos 50 anos. Já em grupos de maior risco como homens negros, pacientes com histórico familiar de primeiro grau ou portadores de mutações genéticas associadas, a avaliação pode começar aos 45 anos, ou até antes em situações específicas.
Diretrizes recentes da American Cancer Society e da USPSTF passaram a recomendar rastreamento do câncer colorretal a partir dos 45 anos.
Essa mudança ocorreu devido ao aumento da incidência de câncer de intestino em adultos mais jovens observado nas últimas décadas.
A colonoscopia continua sendo um dos principais exames, permitindo tanto diagnóstico precoce quanto remoção de lesões precursoras, como pólipos adenomatosos.
Segundo a OMS, o rastreamento com citologia oncótica cervical (Papanicolau) associado aos testes para HPV permanece uma das estratégias mais eficazes na redução da mortalidade por câncer cervical.
Além do rastreamento, a vacinação contra HPV representa um dos maiores avanços em prevenção oncológica das últimas décadas.
Além da idade, diversos fatores aumentam significativamente o risco de carcinogênese, incluindo:
Segundo o World Cancer Research Fund (WCRF), parte importante dos cânceres está relacionada a fatores ambientais e metabólicos potencialmente modificáveis.
Um ponto importante é compreender que o rastreamento baseado em evidências busca equilibrar benefícios e riscos.
Isso porque exames realizados sem critério podem aumentar:
Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada e baseada em diretrizes científicas atualizadas.
Na oncologia moderna, prevenção e diagnóstico precoce dependem cada vez mais de avaliação individualizada, estratificação de risco e acompanhamento médico adequado.
Mais do que realizar exames indiscriminadamente, o objetivo é identificar quem realmente se beneficia de cada estratégia de rastreamento, utilizando a medicina baseada em evidências para reduzir a mortalidade e melhorar o prognóstico.
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Dr Stefany Cardoso Faria
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