
O câncer é uma doença multifatorial caracterizada por alterações genéticas e epigenéticas que conferem às células habilidades de proliferação contínua, escape da apoptose, invasão tecidual e, em alguns casos, capacidade de metastatizar.
Essas alterações decorrem da interação entre predisposição hereditária e exposições ambientais, como padrões alimentares, composição corporal, atividade física, álcool e tabaco, sendo esses fatores classificados como determinantes modificáveis do risco pela Organização Mundial da Saúde, pela WCRF e pelo INCA.
Do ponto de vista metabólico, células neoplásicas apresentam maior captação de glicose e alteração de vias bioenergéticas, mas a glicose continua sendo substrato essencial para tecidos normais, de modo que “cortar carboidratos” de forma indiscriminada não é uma estratégia oncológica baseada em evidência. O foco recai sobre o padrão alimentar hipercalórico e ultraprocessado, associado a ganho de peso, resistência à insulina, hiperinsulinemia e aumento de fatores de crescimento, como IGF‑1, que podem estimular a proliferação celular e reduzir a apoptose.
O Third Expert Report – Diet, Nutrition, Physical Activity and Cancer: A Global Perspective, publicado em 2018 pelo World Cancer Research Fund (WCRF) em parceria com o American Institute for Cancer Research (AICR), descreve o excesso de gordura corporal como causa convincente de maior risco para neoplasias de mama pós‑menopausa, colorretal, esôfago (adenocarcinoma), pâncreas, endométrio, rim, entre outras. No Brasil, estimativas do INCA indicam que aproximadamente 13% dos casos de câncer já podem ser atribuídos ao sobrepeso e obesidade, reforçando o impacto populacional desse fator.
Alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e padrão de “fast‑food” contribuem para densidade energética elevada, maior ingestão de açúcares livres e gorduras, e deslocamento de alimentos protetores da dieta. Evidências recentes associam maior consumo de ultraprocessados a risco aumentado de multimorbidade cardiometabólica e câncer, com destaque para bebidas açucaradas e produtos cárneos processados.
A IARC/OMS classifica carnes processadas como carcinogênicas para humanos (Grupo 1), com estimativa de aumento de cerca de 18% no risco relativo de câncer colorretal para cada 50 g de consumo diário, e carne vermelha como provavelmente carcinogênica (Grupo 2A). O álcool, independentemente do tipo de bebida, é considerado carcinogênico (Grupo 1), com relação dose‑resposta para tumores de cavidade oral, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e colorretal, entre outros.
A falta de atividade física é apontada como fator de risco para múltiplas neoplasias, enquanto níveis adequados de atividade física reduzem o risco de câncer de cólon, mama e endométrio e contribuem para controle do peso corporal. Relatório recente da OMS sobre atividade física mostra que o sedentarismo, combinado a dieta inadequada, pode contribuir para aumento substancial da carga global de doenças crônicas, incluindo câncer colorretal e renal.
Grupos de pesquisa em oncologia, gastroenterologia, imunologia e nutrição têm crescente interesse na interação entre dieta, microbiota intestinal e carcinogênese, especialmente em câncer colorretal. Padrões alimentares ricos em fibras (frutas, verduras, legumes, leguminosas e cereais integrais) estão associados à produção de ácidos graxos de cadeia curta, modulação da inflamação e proteção da mucosa intestinal, mecanismos considerados plausíveis para redução do risco de câncer colorretal. Em contraste, dietas ricas em carnes processadas e pobres em fibras podem favorecer alterações da microbiota, aumento de compostos N‑nitrosos e dano ao DNA.
As principais diretrizes internacionais convergem em recomendações: manter IMC dentro da faixa saudável; praticar atividade física regularmente; priorizar alimentos in natura e minimamente processados; limitar carnes vermelhas, evitar carnes processadas, bebidas açucaradas e álcool; e não fumar.
Não existe um alimento isolado que “alimente” ou “cure” o câncer, e sim um contexto de exposições cumulativas (alimentação, peso, movimento, sono e manejo do estresse), sobre o qual o paciente pode intervir com orientação médica individualizada.
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Dr Stefany Cardoso Faria
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