Durante o tratamento do câncer, especialmente em pacientes que recebem quimioterapia, uma das complicações mais importantes e potencialmente graves é a NEUTROPENIA FEBRIL.
Segundo a American Society of Clinical Oncology (ASCO), a National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e a European Society for Medical Oncology (ESMO), essa condição é considerada uma emergência oncológica, pois pode evoluir rapidamente para infecções graves, sepse e risco de morte quando não reconhecida e tratada precocemente.
A neutropenia ocorre quando há uma redução significativa dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco fundamental para a defesa do organismo contra bactérias, fungos e outros microrganismos.
Muitos quimioterápicos atuam sobre células que se dividem rapidamente. Embora esse mecanismo seja importante para combater as células tumorais, ele também pode afetar temporariamente a medula óssea, responsável pela produção das células sanguíneas.
Como consequência, ocorre queda dos neutrófilos, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.
De acordo com as diretrizes da NCCN, considera-se neutropenia grave quando a contagem absoluta de neutrófilos é inferior a 500 células/mm³ ou quando há expectativa de queda para esse nível nas próximas horas.
O que caracteriza a neutropenia febril?
A neutropenia febril acontece quando a neutropenia está associada à febre, geralmente definida como:
Segundo a Infectious Diseases Society of America (IDSA), a febre pode ser o primeiro e, muitas vezes, o único sinal de uma infecção potencialmente grave.
Em pacientes com sistema imunológico preservado, infecções costumam provocar sinais clássicos de inflamação, como:
No entanto, quando há neutropenia grave, esses sinais podem não aparecer.
Isso acontece porque os neutrófilos são justamente as células responsáveis por grande parte da resposta inflamatória do organismo.
Na prática, o paciente pode estar desenvolvendo uma infecção grave sem apresentar sintomas evidentes além da febre.
Por esse motivo, a febre nunca deve ser banalizada durante a quimioterapia.
O período de maior risco: O nadir hematológico.
Segundo a ASCO, a maior parte dos episódios de neutropenia ocorre entre 7 e 14 dias após a administração da quimioterapia.
Esse período é conhecido como nadir hematológico, momento em que a produção de células sanguíneas pela medula óssea atinge seu ponto mais baixo.
Embora o tempo possa variar conforme o protocolo utilizado, essa costuma ser a fase de maior vulnerabilidade a infecções.
A febre é o principal sinal.
Além dela, o paciente pode apresentar:
Entretanto, é importante destacar que muitos pacientes apresentam apenas febre inicialmente.
De acordo com a IDSA e a ESMO, a principal preocupação na neutropenia febril é a rápida progressão para sepse.
A sepse ocorre quando a resposta do organismo a uma infecção provoca disfunção de órgãos e comprometimento sistêmico.
Em pacientes neutropênicos, essa evolução pode ocorrer em poucas horas.
Por isso, a neutropenia febril é considerada uma condição tempo-dependente, semelhante a outras emergências médicas em que o tratamento precoce influencia diretamente o prognóstico.
Após a avaliação médica, são realizados exames laboratoriais e investigação da possível origem da infecção.
No entanto, segundo as diretrizes internacionais, o tratamento não deve aguardar a identificação do agente causador.
A recomendação é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro o mais rápido possível.
Diversos estudos demonstram que atrasos no início dos antibióticos estão associados a aumento do risco de complicações, internação prolongada e mortalidade.
Em alguns casos, podem ser necessários:
A conduta depende da avaliação individual de cada paciente.
Quando procurar atendimento?
Todo paciente em tratamento oncológico deve receber orientação prévia sobre neutropenia febril.
A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente diante de:
Não é recomendado aguardar a melhora espontânea dos sintomas nem utilizar antitérmicos para observar a evolução em casa sem avaliação médica.
A neutropenia febril é uma das principais emergências da oncologia clínica.
Segundo ASCO, NCCN, ESMO e IDSA, o reconhecimento precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para reduzir complicações graves e aumentar a segurança do paciente.
A mensagem mais importante é simples: Durante a quimioterapia, a febre nunca deve ser ignorada.
Em muitos casos, ela pode ser o primeiro sinal de uma infecção potencialmente grave, e agir rapidamente pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e na recuperação do paciente.
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Dr Stefany Cardoso Faria
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