Hepatite pode causar câncer de fígado?

Hepatites B e C crônicas estão entre as principais causas de cirrose e de carcinoma hepatocelular (CHC), o câncer primário de fígado mais comum, segundo a Organização Mundial da Saúde e as recomendações da Sociedade Brasileira de Hepatologia para CHC. 

Estima-se que até 80% dos casos de CHC no mundo estejam relacionados a infecção crônica pelos vírus B ou C, geralmente em fígados com fibrose avançada ou cirrose. Nesses pacientes, a inflamação crônica, a regeneração repetida dos hepatócitos e, no caso do HBV, a integração do DNA viral ao genoma da célula hepática favorecem instabilidade genômica, mutações e ativação de vias pró‑proliferativas, facilitando a carcinogênese.

Um dos desafios é que a hepatite viral crônica costuma ser oligo ou assintomática nas fases iniciais, levando muitos indivíduos a permanecerem décadas com inflamação e fibrose sem saber. Por isso, documentos de referência recomendam testagem sorológica em grupos de maior risco (história de transfusões antigas, uso de drogas injetáveis, relações sexuais desprotegidas, hemodiálise, coinfecção por HIV, história familiar, entre outros) e investigação em pessoas que nunca foram testadas, mesmo sem sintomas.

Nem todo portador de hepatite B ou C desenvolverá CHC, mas o risco aumenta de forma significativa na presença de cirrose e de cofatores como consumo abusivo de álcool, obesidade, diabetes e síndrome metabólica. Por isso, diretrizes de hepatologia indicam seguimento periódico com exames laboratoriais e de imagem em pacientes com hepatite crônica avançada ou cirrose, com objetivo de detectar o tumor em estágios iniciais, quando ainda há possibilidade de tratamento curativo. A maior parte dos consensos recomenda ultrassonografia hepática a cada 6 meses, com ou sem alfafetoproteína, para indivíduos com cirrose, independentemente da etiologia, e para alguns subgrupos de portadores de hepatite B de alto risco, mesmo sem cirrose.

A prevenção primária começa com a interrupção da cadeia de transmissão. A vacina contra hepatite B, incluída nos calendários vacinais e disponível no SUS, demonstrou reduzir de forma importante a incidência de infecção crônica e, consequentemente, de CHC em diferentes populações.

No caso da hepatite C, o tratamento moderno é baseado em antivirais de ação direta (DAA), que são hoje a espinha dorsal da terapia: combinações de dois ou mais DDA são usadas na maioria dos esquemas justamente para aumentar a eficácia.

Exemplos incluem: sofosbuvir/daclatasvir, ledipasvir/sofosbuvir, glecaprevir/pibrentasvir e sofosbuvir/velpatasvir, que são utilizadas por 8 a 12 semanas na maioria dos esquemas, com taxas de resposta virológica sustentada (cura virológica) geralmente acima de 90–95% em estudos de vida real.

Esses medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS segundo protocolos do Ministério da Saúde, o que tornou a cura da hepatite C uma realidade para a maior parte dos pacientes e reduz de forma relevante a progressão para cirrose e o risco de CHC ao longo dos anos.

A ribavirina, que antes era pilar no tratamento em combinação com interferon, hoje tem sua indicação reduzida em muitos esquemas, permanecendo principalmente para situações especiais, como falhas terapêuticas prévias ou alguns casos em crianças, devido ao perfil de efeitos adversos e à alta eficácia dos novos DAA.

Em hepatite B, o uso adequado de análogos de nucleosídeo/nucleotídeo reduz inflamação e fibrose e está ligado a menor incidência de CHC, mas o risco residual persiste e justifica vigilância contínua.

Ponto Importante a ser levado em consideração

Pessoas com fatores de risco ou diagnóstico de hepatite devem manter seguimento com especialista para definição individualizada da necessidade de tratamento antiviral, de vigilância para CHC e de controle rigoroso de álcool, peso, diabetes e outras comorbidades, compondo uma estratégia integrada de proteção do fígado e redução do risco de câncer ao longo dos anos.

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👨‍⚕️ Dr Stefany Cardoso Faria
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