
A biópsia líquida é um conjunto de técnicas que analisam biomarcadores tumorais circulantes, em especial DNA tumoral circulante (ctDNA), a partir de uma simples amostra de sangue.
No câncer de pulmão, o ctDNA carrega mutações e outras alterações genômicas do tumor primário e/ou de metástases, permitindo uma caracterização molecular dinâmica e menos invasiva do que a biópsia de tecido.
Em neoplasias pulmonares, a análise de ctDNA pode identificar mutações acionáveis em genes como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, MET e RET, entre outros, auxiliando na escolha de terapias alvo quando o material de biópsia é escasso ou de difícil obtenção. Além disso, a meia‑vida curta do ctDNA possibilita monitorar em “tempo quase real” a resposta ao tratamento, detectando redução ou reaparecimento de variantes específicas durante o uso de terapias alvo, quimioterapia ou imunoterapia. Estudos demonstram que a elevação do ctDNA pode anteceder em semanas ou meses a progressão radiológica, enquanto a depuração do ctDNA se associa a melhor sobrevida livre de progressão e global.
Outro campo em expansão é a detecção de doença residual mínima (MRD) após cirurgia ou tratamento potencialmente curativo em tumores de pulmão em estágios iniciais. A positividade persistente ou recorrente de ctDNA após o tratamento tem se mostrado fortemente associada a maior risco de recidiva, o que abre espaço para estratégias de tratamento adjuvante ou vigilância mais intensiva em subgrupos selecionados.
Apesar do grande potencial, a sensibilidade da biópsia líquida diminui em cenários de baixa carga tumoral, como em tumores muito pequenos ou doença localizada, o que restringe seu uso isolado para diagnóstico ou rastreamento populacional. Há também desafios técnicos de padronização dos métodos, definição de pontos de corte, interferência de DNA não tumoral e variações entre plataformas comerciais, o que exige interpretação cuidadosa por equipes experientes.
Por esses motivos, sociedades científicas e consensos de prática clínica consideram a biópsia líquida uma ferramenta complementar, especialmente útil quando a biópsia de tecido é inviável ou insuficiente, ou quando é necessário acompanhamento seriado da doença. Em muitos protocolos, recomenda‑se confirmar em tecido alterações inesperadas ou achados de grande impacto terapêutico sempre que possível.
Para indivíduos de alto risco, em geral fumantes e ex‑fumantes com determinada carga tabágica e faixa etária específica, a tomografia computadorizada de baixa dose continua sendo o método de rastreamento recomendado, com benefício comprovado em redução de mortalidade por câncer de pulmão em grandes estudos clínicos. Ensaios que avaliam a associação de ctDNA e outros biomarcadores sanguíneos à tomografia estão em andamento, mas, até o momento, a biópsia líquida isolada não substitui a TC de baixa dose em programas de rastreamento.
Na prática, a utilização de biópsia líquida deve ser individualizada e pode ser uma opção quando não é possível obter biópsia pulmonar adequada, quando se deseja complementar o painel molecular ou quando o objetivo é monitorar resposta e resistência ao longo do tratamento. A escolha entre exames de sangue, imagem e biópsia de tecido depende do estágio da doença, das condições clínicas do paciente e das questões terapêuticas em discussão, sempre em conjunto com o oncologista e o pneumologista.
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Dr Stefany Cardoso Faria
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