
Surgem da degradação de plásticos comuns (PE, PP, PET, PVC, PS) presentes em embalagens, tecidos sintéticos, utensílios e produtos de uso diário.
Hoje, essas partículas já foram detectadas em água potável, alimentos, ar, bem como em sangue, placenta, mecônio, leite materno, fezes e vários tecidos humanos, o que indica exposição contínua desde a vida intrauterina até a vida adulta.
O consumo frequente de refeições de delivery e produtos ultraprocessados em contato direto com embalagens plásticas foi associado a maior ingestão dessas partículas. Estudos mostram que recipientes “prontos para microondas” podem liberar milhões de micropartículas por litro após o aquecimento, além de dezenas de substâncias químicas intencionalmente ou não adicionadas ao plástico.
A literatura recente tem sugerido que MPs e NPs não atuam, em geral, como carcinógenos “isolados”, mas como co‑fatores e promotores tumorais em um contexto de exposição crônica.
MnPs funcionam como “esponjas” ou plataformas para metais pesados, poluentes orgânicos persistentes (POPs), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e plastificantes, aumentando a carga de toxinas que chega aos tecidos.
Esses complexos podem induzir estresse oxidativo, inflamação crônica, dano ao DNA, mutações e desregulação endócrina, todos pilares clássicos da carcinogênese.
Deng et al. (Molecular Cancer 2025) destacam que a alteração do balanço redox, com aumento de espécies reativas de oxigênio (ROS) e dano genômico, é uma via central pela qual MnPs aumentam o risco de transformação maligna.
Mishra et al. descrevem que a exposição a MnPs pode ativar vias de oncogênese como NF‑κB, PI3K/Akt/mTOR, Wnt/β‑catenina e p53, com efeitos sobre:
Revisões sistemáticas recentes e estudos experimentais apontam associação entre exposição a MPs/NPs e alterações em:
Além disso, trabalhos patológicos recentes descrevem presença de partículas plásticas em amostras de tumores de pulmão, cólon, estômago, mama, fígado, colo uterino, próstata, pênis e cérebro, reforçando a hipótese de acúmulo local e modulação do microambiente tumoral.
Embora ainda não exista uma “dose segura” claramente definida, organismos internacionais e agências regulatórias já reconhecem MnPs como contaminantes emergentes, com necessidade urgente de avaliação de risco mais robusta. Do ponto de vista prático, algumas medidas simples podem reduzir a exposição:
Essas ações não substituem políticas públicas, mas contribuem para diminuir a carga total de exposição a micro e nanoplásticos ao longo da vida.
Um ponto interessante da literatura recente é que as mesmas propriedades que tornam MnPs preocupantes do ponto de vista tóxico também os tornam candidatos a ferramentas em nanomedicina oncológica.
Essa dualidade, fator ambiental emergente de risco e, ao mesmo tempo, plataforma tecnológica potencial, reforça a necessidade de que oncologistas, pesquisadores e formuladores de políticas acompanhem de perto a evolução das evidências.
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Dr Stefany Cardoso Faria
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